segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

À César o que é de César

Dia 02 de dezembro agora de 2015, recebi o Informativo Tecnologia LiFi: internet 100 vezes mais rápida a caminho, e logo lembrei-me de um experimento que presenciei na PUCRS em 1986, no então Laboratório Especializado em Eletroeletrônica, onde dentre outros estudos, pesquisadores do mesmo trabalhavam com radiações laser.
O que presenciei então foi a transmissão de dados (especificamente voz), por via aérea através de laser. Os alunos e professores da PUCRS já teorizavam e concebiam meios físicos, nesta época, para o que hoje é nominado por LiFi[1].
Cabe-me então muitos questionamentos acerca não somente do que tange as Propriedades Intelectuais de nossos pesquisadores e cientistas; como também acerca da “evasão”  de tecnologias, que ocorre o tempo todo de nossas Universidades e Institutos de Pesquisa, por motivos múltiplos e complexos, que renderiam diferentes teses de Pós Doutorado nas mais variadas áreas do saber, mas principalmente no que se refere a segurança das informações.

Em 1986 eu estava concluindo o ensino fundamental em uma escola pública de Cachoeirinha-RS, a Escola Osvaldo Camargo, e participei de uma feira de ciências, chegando à competição Estadual, onde o Projeto que apresentei foi titulado como Trabalho destaque, sendo este referente a fontes alternativas de energia, onde construí uma maquete funcional, que continha: Células fotovoltaicas, gerador eólio, biodigestor, e um ensaio onde mostrava as etapas de conversão de óleo de soja descartado em biodiesel. Foi então que por razões que até hoje não são muito claras para mim, acabei sendo apresentado por professores de minha escola, aos pesquisadores e alunos do Laboratório de Física da PUCRS, os quais me acolheram pronta e gentilmente, com os quais me integrei, passando a fazer parte como voluntário, do Projeto “Sistema Rural de Alternativas Energéticas”, realizando pequenas tarefas, como coletar dados, realizar o lançamento destes em tabelas comparativas para geração de gráficos, carga e descarga dos biodigestores, etc, o que me rendeu um conhecimento e uma vivência inimaginável, para um jovem de classe média baixa, estudante em uma escola pública, com as precariedades peculiares a todas as escolas públicas brasileiras.
Em uma época em que o tema Sustentabilidade, não era alardeado como campanha midiática, como hoje, os Bravos Cientistas da PUCRS, realizaram um trabalho de vanguarda, provando na prática que sistemas alternativos de energia eram e são até hoje viáveis.
Lembro-me bem do sabor dos tomates gaúchos, produzidos de forma orgânica em uma pequena horta na casa-laboratório, do Projeto.
Lembro-me também de um motor WW, que estava sendo adaptado para trabalhar com biogás, e que acionava um pequeno gerador elétrico, que por sua vez abastecia baterias, que na época infelizmente eram de chumbo, o que em nada desmerece o feito.
Sinto um aperto em meu peito, e entristeço-me muito quando ouço falar em sustentabilidade e em fontes alternativas de energia, como sendo, algo proveniente de tecnologias importadas; sendo que foram, são e serão para sempre desenvolvidas muitas tecnologias de ponta, nos Laboratórios de nossas Universidades e nas mentes de nossos Cientistas, que muitas vezes ao falarem de inovações que estão longe do imaginário coletivo, são pejorativamente chamados de loucos, ao mesmo tempo em que ouvindo isso de algum cientista estrangeiro ficam bestificados com sua capacidade e inventividade.
Doutra forma, creio que deveriam ser catalogados e divulgados de forma ostensiva os avanços diversos de nossos cientistas, assim como creio que se fosse desenvolvido um projeto de integração entre a Universidade e as escolas públicas, teríamos um salto quântico no que tange o despertar de muitas mentes, que por ventura poderão agraciar-nos com soluções para muitas demandas de nossa sociedade. Além de é claro, desmistificar o que é quase uma lenda urbana, sendo a falsa impressão que o desenvolvimento tecnológico deve-se a grandes laboratórios pertencentes a Megapólios Internacionais.


Em 1981, professores do antigo Setor de Energia da FAFIS, aprovaram o projeto “Sistema Rural de Alternativas Energéticas”, coordenado pelo Prof. Délcio Basso e financiado pelo Banco do Brasil, com laboratórios que ficaram ativos até 1991.
(link para a citação)
O Projeto foi idealizado a partir das necessidades de energia elétrica térmica e mecânica, empregando exclusivamente recursos disponíveis numa propriedade rural.
As modalidades básicas escolhidas foram a energia eólica, a solar e a proveniente da queima de biogás. Foram construídos coletores solares, motores eólicos de eixos verticais, biodigestores, equipamento de apoio (termômetros digitais.
solarímetro, integrador e tacômetro digital), uma casa de alvenaria de 35 metros quadrados para pesquisa com 6 pequenos biodigestores, sala de manutenção e de estudo e uma estufa também de alvenaria de 30 metros quadrados com coletores solares planos para aquecimento de água, na parte superior e, na parte interna da estufa, 3 grandes biodigestores.

Posteriormente,  em 1986 outros laboratórios especializados da PUCRS tiveram maior incremento tiveram maior incremento:

Materiais de Construção Civil, Mecânica dos Solos, Eletrônica, Conversão de Energia Elétrica, Máquinas Operatrizes, Servomecanismos e Controle analógico/digital, Metalografia, Gabinete de Desenho, Gabinete de Topografia, Fenômenos de Transporte, Acionamentos Industriais, Instrumentação e Medidas, Materiais Elétricos, Fluido Térmico e Motores de Combustão Interna.

O LABELO (Laboratórios Especializados Eletroeletrônica), por sua vez se formou do Laboratório montado para proporcionar as aulas práticas de curso de Engenharia Eletrônica, cuja primeira turma se formou em 1969. Em 1970 chegou uma grande partida de equipamentos adquiridos na Alemanha com recurso da Misereor.
Como os professores que escolheram e definiram o equipamento eram da área de Comunicações e havia na PUCRS recurso humano qualificado, o Ministério das Comunicações procurou o Labelo para ver a possibilidade de prestação de serviço de suporte à Delegação Nacional das Telecomunicações em Porto Alegre no tocante à realização de ensaios e vistorias em plantas transmissoras do serviço de radiofusão.
Esse processo culminou com a homologação do Labelo pelo MINI COM para essa atividade em 1978. Em 1986 houve preocupação com a exatidão dos valores medidos e uma consulta ao IN METRO resultou na resposta “então iniciem” porque a Instituição não tinha como nos dar a rastreabilidade.

Para saber mais:


DOWNLOAD: [PDF]6 - FACULDADE DE FÍSICA - Revistas da PUCRS






[1] A tecnologia Li-Fi, abreviação para Light Fidelity usa ondas de luz para a transmissão, empregando diodos emissores de luz (LEDs).